BE "deve ser oposição" e "recuperar" pluralidade e diversidade


 BE "deve ser oposição" e "recuperar pluralidade e diversidade"

Pedro Soares tem sido uma das vozes críticas da direção do Bloco de Esquerda. Na véspera da convenção, a TSF procura leituras sobre o rumo do partido que no último OE rompeu o entendimento com o Governo do PS. 

Pedro Soares foi deputado do BE e presidente da comissão parlamentar de Ambiente 

Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda (BE) até 2019, e um dos subscritores da moção que representa a oposição interna a Catarina Martins, considera que "o diálogo no partido tem de ser aprofundado". O bloquista nota, em entrevista à TSF, que o lugar do BE é na oposição, e se deve recuperar o caminho da "pluralidade e diversidade". 

"Houve alguma tendência para que as decisões fossem cada vez mais centralizadas, mas julgo que a convenção vai alterar esta situação. Da convenção sairá um BE mais plural, mais diverso, com mais diálogo interno e mais democracia, é por aí que queremos ir", assume à TSF. 

O BE formou-se em 1999 com a junção de três partidos: União Democrática Popular, encabeçada por Luís Fazenda; Partido Socialista Revolucionário, sob a liderança de Francisco Louça e Política XXI, com Miguel Portas. Quando Francisco Louçã abandonou a liderança do partido, as três tendências desapareceram e deram origem a duas correntes: socialismo e esquerda alternativa. Pedro Soares destaca, no entanto, a pluralidade que sempre existiu no BE com os chamados "independentes". 

"Entraram muitas pessoas que não faziam parte de qualquer corrente política. Foi o que permitiu que a formação do BE não fosse apenas uma coligação entre pequenas formações políticas, mas passasse a ter uma perspetiva aberta. Tornou o BE um partido plural, com uma nova agenda política. É esse o caminho que é preciso recuperar", alerta. 

Pedro Soares critica, no entanto, a decisão do partido em diminuir o número de delegados na convenção nacional, que considera "incompreensível". 

Questionado sobre uma possível aproximação ao Governo, depois do voto contra o Orçamento do Estado deste ano, o antigo deputado lembra a capacidade do partido "para dialogar com outras forças políticas, estabelecendo acordos", como a reforma fiscal e a proteção dos toxicodependentes. 

O caminho para eventuais acordos ou alianças terá de ser feito "com uma agenda política própria". "O BE deve afirmar a sua agenda, e as alianças devem ser feitas a partir das nossas perspetivas. Há questões importantes que têm sido colocadas em planos inferiores, como a legislação laboral e o problema da habitação", salienta. 

Com políticas "que abrem a porta à austeridade, com setores sociais do país a perderem rendimentos e qualidade de vida", o Governo não pode contar com o BE, na opinião do antigo deputado. "Quando o PS se desloca para acordos com o bloco central, de submissão à União Europeia, o BE tem de assumir que é oposição, contribuindo para a democracia." 

Sobre "coligações negativas", Pedro Soares admite que "uma conjugação de votos no Parlamento para conduzir a novos avanços sociais não pode ser encarada como negativa, mas sim como positiva", como foi a aprovação do aumento dos apoios sociais, pelo BE e PSD. Ainda assim, Soares salienta que o campo privilegiado para entendimentos deve ser sempre o da esquerda. 

Pedro Soares não vê a chegada do BE ao poder como uma obsessão, e acredita mesmo que o lugar do partido, por enquanto, é na oposição. "O contributo que o BE pode dar é que surjam novas dinâmicas sociais, e não é só no Governo que isso se faz. O BE deve ser uma oposição influente, capaz de fazer propostas e de mudar a política no nosso país", sugere. 

A XII Convenção do Bloco de Esquerda decorre a 22 e 23 de maio, no Porto. Catarina Martins recandidata-se à liderança do partido, com a moção "Sair da Crise, Atacar a Desigualdade", que é também assinada por Marisa Matias e pelo líder parlamentar Pedro Filipe Soares. 

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