Ecofeminismo - contra todas as discriminações, pela defesa do Planeta, pela Paz






Por: Jorgete Teixeira, Ana Sartóris, Manuela Tavares e Maria José Magalhães

É a partir da década de 70 do século XX que o termo "ecofeminismo" surge associado aos emergentes movimentos de defesa da Terra, ligando a opressão das mulheres aos maus tratos infligidos à natureza. Este conceito tem vindo a fazer cada vez mais sentido num mundo onde a saúde do Planeta se degrada assustadoramente e se torna urgente a tomada de consciência do que isso pode significar para a sobrevivência das espécies, entre elas, a humana. 

Às mulheres, ligadas à terra desde tempos ancestrais, tendo de prover ao sustento das suas famílias através da recoleção de alimentos, agricultura, pastorícia e até da caça, deve caber um papel decisivo na procura de um equilíbrio entre a natureza e a economia, na senda de um desenvolvimento sustentável que preserve o futuro. As mulheres têm nas mãos esse poder de defesa e transformação do mundo, opondo-se ao modelo patriarcal capitalista de opressão com uma perspetiva ecológica e de desenvolvimento que procure novas respostas na preservação do meio ambiente e por melhores condições de vida. 

O patriarcado, a colonialidade e a destruição do planeta estão ligados ao capitalismo, sendo que a crise ecológica planetária constitui o capítulo mais recente da história global deste sistema. 

As alterações climáticas não afetam de igual forma toda a população. As suas consequências atingem com maior violência e injustiça as pessoas e as regiões que menos têm contribuído para as emissões de CO2. Do mesmo modo, nos países ricos, são as pessoas racializadas, e que auferem baixos rendimentos, e os grupos mais vulneráveis dentro destas populações (como mulheres e crianças em geral), que carregam os fardos mais pesados da degradação ambiental. 

Numa visão histórico-materialista da mudança ambiental, a ecologia política feminista introduz uma visão clara de como esta situação decorre da interseccionalidade da opressão: classe, "raça"/etnia, colonialidade, género e espécie, que têm origem na convergência histórica do patriarcado com a sociedade capitalista. 

A perspetiva ecofeminista socialista e interseccional pressupõe um horizonte de justiça social que tem de enfrentar, não apenas as discriminações, exploração e alienação, mas também todas as formas de violência contra as mulheres e meninas, entre outras, doméstica, sexual, obstétrica. 

Só a paz é propícia a uma vida saudável, a uma vida com qualidade. 

Não podemos ignorar a guerra que se trava na Ucrânia. Repudiamos veementemente a invasão deste país pelo exército russo; erguemo-nos contra todos os confrontos armados que surgem pelo mundo, insuflados pela ganância capitalista e sede de poder das grandes potências que destroem o ambiente, as cidades, o património histórico, separam famílias, geram a fome e doenças, acendem ódios, afetam as vidas de milhares de seres, gerando outro flagelo que é a fuga das pessoas em ondas de refugiados/as, depois acumuladas/os dentro de cercas de arame farpado, vivendo sem condições mínimas de salubridade nem dignidade, sujeitas/os ao tráfico de seres humanos, às violações, à prostituição forçada. 

As mulheres, as crianças e as pessoas mais velhas, LGBTIQA+ e racializadas são as mais atingidas numa sociedade patriarcal eivada de estereótipos machistas, em que a elas cabe a retaguarda e eles são enviados para a guerra, para matar, destruir e morrer, dando azo ao aparecimento de nacionalismos de extrema-direita numa perpetuação do ódio. 

O sistema capitalista patriarcal alimenta-se da guerra, da corrida ao armamento, sustentada pelo NATO, ansiosa por alargar a sua área de influência, e também por Putin, ansioso por ressuscitar uma Rússia imperialista e czarista. 

Erguemo-nos nas lutas pela igualdade de direitos, por uma sociedade justa, por melhores condições de vida, por um planeta despoluído, contra a dupla exploração da força de trabalho, contra o domínio do patriarcado, contra a violência a vários níveis, contra todas as discriminações. 





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